segunda-feira, 8 de março de 2010



Hoje é um dia especial de reflexão. Somos convidados a olhar para a mulher e sua história de lutas e conquistas. Olhando para esta história nos damos conta de quanto hoje podemos viver, estudar e ter graças a mulheres corajosas que não deixaram de falar e reivindicar aquilo que acreditavam. Hoje é tempo de recordar um dia triste que marcou a vida pessoal e familiar de muitas pessoas, mas que para além da desgraça conseguiu nos trazer um alerta e nos ajudar a recordar aquilo que jamais poderá ser esquecido. Muito já foi conquistado, mas muito ainda precisa ser mudado, sobretudo quando falamos de oportunidades, reconhecimento e violência. Para este dia convido, então, a refletirmos a partir desta história que marca o Dia Internacional da Mulher e o faço com as palavras escritas por Luiz Carlos Ramos e Edemir Antunes Filho:

“Lá estavam elas, ao som dos teares, tecendo com fio lilás os tecidos que deveriam vestir e aquecer outros corpos - roupas que elas mesmas jamais vestiriam. Já próximas ao limite de suas forças, exaustas pelas 16 horas de lida diária, as operárias ainda encontravam ânimo para socorrer companheiras que se esvaíam tuberculosas; para saudar crianças recém-nascidas que saltavam pra dentro da vida ali mesmo, sob os teares; e para chorar as envelhecidas jovens que aos 30 anos agonizavam em seus postos e se despediam de sua breve vida. Entretanto, embaladas pelo ritmo das máquinas, e com o colo molhado pelas lágrimas, gestavam sonhos de esperança: salários dignos, melhores condições de saúde, jornada de trabalho que lhes permitisse abraçar mais longamente suas crianças, beijar mais ternamente seus maridos e saborear um pouco mais a comunhão à mesa na simplicidade dos seus lares. Contagiadas por esse sonho, foram compartilhá-lo com o patrão. Mas o patrão, indignado com tamanho absurdo julgou ser este um caso de polícia e resolveu transformar aquele sonho divino em um pesadelo infernal. No dia 8 de março de 1857 as portas da fábrica Cotton de Nova York foram trancadas e o edifício transformado em um grande crematório onde 129 mulheres foram sacrificadas. Mas a fumaça daquele holocausto espalhou-se por todo lugar levando consigo o sonho daquelas mulheres, contagiando e sensibilizando pessoas em todo o mundo que se encarregaram de tornar realidade aquele ideal. Mártires cremadas, fios lilases, gestantes de um mundo melhor inspiraram Clara Zetkin, a propor, durante o Congresso Internacional de Mulheres realizado na Noruega, em 1910, a instituição do Dia Internacional da Mulher. Desde então, a cada 8 de março, mulheres e homens reafirmam sua tarefa como tecelãs e tecelões de uma nova História”.



Hoje, mulheres e homens são convidados a lutar por dignidade e respeito, por uma vida com paz e justiça. Somos, também, convidados a nos espelharmos em Jesus Cristo que viveu e ensinou a respeito do Reino de Deus. Que falou a mulheres a respeito do Reino e as motivou, junto com os homens, a serem testemunhas deste Reino. Que as valorizou e lhes deu dignidade e respeito. Que as encorajou a falar daquilo que viram e ouviram, a serem testemunhas da ressurreição.
Certa vez alguém escreveu: “Bem aventurada a mulher que, em seu caminho, encontra Cristo: escuta-o, acolhe-o, segue-o, como tantas mulheres do evangelho, e se deixa iluminar por Ele na opção de vida. E traça sendas de esperança para a humanidade. Bem aventurada a mulher que, dia após dia, com pequenos gestos, com palavras e atenções que nascem do coração, traça sendas de esperança para a humanidade”. E eu digo mais: “Bem aventurado é o homem que a acompanha nesta proposta de vida...”



Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! (Isaías 52.7)