quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

FELIZ NATAL GAUDÉRIO




E eis que surge lá no FUNDÃO DA ESTÂNCIA,
após se ENTREVERAR mundo a fora,
por várias COXILHAS,
LOCO DE BUENACHO,
o ÍNDIO NOEL,
montadito em sua charrete
cheia de presentes,
que mais parece um mascate vindo do Uruguai,
para novamente celebrar o Nascimento
do PIAZITO DO PEITO, 

O GAUDÉRIO DOS PAMPAS,
chamado JESUS, filho de D. MARIA,
PINGUANCHA flor de rezadeira,
e do SEU JOSÉ, um carpinteiro loco de bom.

Este PIAZITO veio pra salvá
toda a INDIADA perdida pelas CARRERAS da vida.
Que este Natal, traga PAZ, SAÚDE e PROSPERIDADE,
a todos MARAGATOS, CHIMANGOS e VIVENTES,

DE TODAS AS VÁRZEAS E COXILHAS.
DESEJAMOS A TODOS UM BAITA QUEBRA COSTELA, TCHÊ,
e um NOVO ANO TRI LEGAL...

Autor desconhecido


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

O Nascimento


Gosto de viver no meio do rebanho. As ovelhas são muito tranquilas. Elas raramente criam conflitos. Mas são indefesas. Não sabem correr como lebres e gazelas e não se defendem com mordidas, nem dão coices ou chifradas. Por isso, nós pastores cuidamos delas, de dia e de noite. 


Sim, eu gosto das ovelhas, mas a minha vida não é fácil. Nós pastores enfrentamos noites frias e faltam-nos abrigos seguros e agasalho que aquece. 

Nós somos peões e temos poucos direitos. O pior de tudo é que nos excluem do templo, das celebrações e da comunhão com Deus. As pessoas do bem, que se dizem puras, nos marginalizam. Sua religião ensina que somos impuros porque lidamos com animais.

De uns dias para cá, acontece algo de extraordinário. Aparece uma luz. Sim, a mais clara de todas as luzes! Ela vem acompanhada de uma mensagem que nos enche de esperança: Não tenham medo!

Que coisa estranha e maravilhosa! A luz aponta um estábulo onde está um menino, e seu berço é o coxo onde comem os animais. 

O medo acompanha minha vida desde sempre. Nossos patrões são ásperos conosco, e suas mãos são pesadas no castigo. Eles bajulam nosso prefeito Quirino, um soldado guerreiro e rápido com a espada. Ele veio para fazer um recenseamento, porque o Imperador Romano quer saber quanto imposto pode cobrar do nosso povo. Se ele aumentar os impostos, os donos dos rebanhos vão demitir muitos pastores e descontar o imposto nos nossos salários. E ainda tem o nosso Rei Herodes, um tirano que se mostra muito religioso, mas que é apaixonado por armas, tem falas violentas e governa com ameaças.

Começo a entender por que a brandura do menino tira o medo de mim. Creio que nasce com ele uma forma nova de viver: Sua fofura vence a rudeza. Sua ternura acolhe e não me exclui. Seu sorriso convida e não ameaça. Seu olhar meigo me toca. Cada dia, o menino cresce um pouco dentro de mim. Se crescer em muitos de nós e nos poderosos, meu medo vai desaparecer.


P. Silvio Meicke 



Mensagem de Natal


domingo, 22 de dezembro de 2019

Bênção para o Tempo do Natal





Na sociedade do cansaço, caímos para dentro do natal! Falta tempo para chegar no Natal ou para deixar que o Natal chegue a nós... Impossível fazer o Natal! Desde sempre, creio que ele é feito para nós, independente de nós e de nossa pretensa tentativa de criá-lo... É graça do Deus da Vida! Por isso, minha mensagem aqui é em forma de bênção. Bênção de Deus, independente de nós!

Eu, o Deus da Vida, 
o Cristo das Diferenças 
e o Espírito da Diversidade, 
Te abençoo com a vida, 
e porque te dou a vida, 
te abençoo com inquietação, perguntas, incômodos, 
principalmente em relação à falta de vida,
e porque te causo distúrbio, 
te abençoo com comida, água, 
cama para dormir, 
amigos e família, 
para que tu encontres abrigo, consolo na caminhada, 
e porque te abençoo com pessoas e com amor, 
te abençoo também com sentimentos fortes, 
paixões, desejos, vitalidade, 
para que possas te relacionar com o mundo, 
criar e gerar vida,
dar e receber carinho, 
repartir cuidado...
e porque te dou impulso de vida, 
te abençoo com coragem, indignação, 
mas também com sonhos, visões, 
possíveis lutas em nome de um mundo melhor, bem melhor, 
mais justo, digno, pacífico, 
para todo ser que respira e existe,
e porque te abençoo com senso político e ético, 
te abençoo com Jesus Cristo,
pois, se nada der certo, se não te importares com nada, 
se faltar o mínimo para viver, 
se teus amigos te decepcionarem, 
se tuas relações te frustrarem, 
tuas lutas e sonhos derem em nada, 
tu possas entregar tua vida inteira para Cristo
e ele te carregará. 
E porque te dou Jesus Cristo, 
te abençoo com o Espírito Santo, 
para que ele, independente da situação, 
apesar de tudo e de todos, 
te dê dons 
e te carregue 
na fé,
em mim, 
o Deus da Vida. 
Amém. 

Feliz Natal

P. Júlio César Adam
Natal 2019


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Amanhecer de um novo dia

Amanhecer em João Pessoa - RN


“Coisas que tenho pedido a Deus quando acordo todas as manhãs: 

Paciência para entender que nem sempre as coisas serão como eu quero, por não dependerem de mim;  

Força para encontrar equilíbrio, em meio ao caos que não é provocado por mim; 

Paz, para não deixar meu espírito se corromper pelo barulho alheio; 

Sabedoria para saber diferenciar sentimento de emoção; 

Coragem para que, no meio disso tudo, eu não deixe de ser quem sou, mesmo que isso não agrade todo mundo.”

Aryane Silva

domingo, 1 de dezembro de 2019

Alarido e movimento – hora de partir

O alarido fora grande. Tambores e trombetas tocados pelo pequeno pelotão de soldados que acompanhava o arauto imperial haviam provocado aquilo. E tocaram um bom tempo, até que a praça de Nazaré se encheu com os moradores da pequena cidade. As mulheres, como convinha, haviam ficado em casa.


E agora? De volta a sua casa, José lembrava: César, recenseamento, alistar-se na cidade em que nascera... Bem agora que Maria estava nos últimos tempos de sua gravidez!

Em silêncio, maldisse o imperador e seu império. Mais uma vez percebia a desgraça de viver em um país ocupado e governado por estrangeiros bem armados, que traziam a paz pela espada. Contudo, não havia o que fazer. Rebelar-se podia facilmente significar a morte. E não era hora de morrer, quando um filho estava por nascer.

Contou a Maria o que estava por vir. Teriam que viajar até Belém! Uma distância enorme, subindo e descendo montes, ele a pé, ela montada no jumento que possuíam. E era a estação das chuvas: terreno molhado e lamacento em meio às pedras. – Em tempo normal, uma pessoa podia andar pouco mais que 22 milhas por dia. Até Belém, teriam que percorrer pouco mais que 233 milhas. Na melhor das hipóteses, poderiam percorrer a distância em 11 dias. Sem esquecer que ela estava grávida.

Ele procurou o pequeno baú, no qual estavam as moedas que guardava para eventualidades. Certamente teriam que pernoitar em pousadas. Havia o suficiente.  Depois, foi até o curral, para ver como estava o jumento.

Maria preocupou-se em cozer pães ázimos para essa longa viagem. Precisava também assar alguns pedaços de carne de cordeiro. Depois, começou a juntar o azeite, o vinho e o queijo de cabra e o que mais faltasse, especialmente um bom odre com água para o primeiro dia.

Deitou-se em seguida, não sem antes orar a Javé, pedindo proteção e bênção para essa empreitada.

A jornada começaria em dois dias, assim que José conversasse com Benjamin, o vizinho amigo que tomaria conta da casa enquanto estivessem fora.

P. Carlos Arthur Dreher 



Advento de quem?




Sim, é Advento! Mas... Advento de quem? Nas vitrines, nos shoppings, nos comerciais de televisão, só vejo papais-noéis cercados de pacotes pendurados em uma árvore de Natal artificial. 

Então pergunto novamente: Advento de quem ou de quê? De Papai Noel ou de Jesus?

Acho que está na hora de a gente, que ainda crê no verdadeiro Natal, fazer uma campanha pela volta do presépio, com Maria, José, o burrinho e a vaquinha e, claro,o menino Jesus deitado na palha. 

Papai Noel até também pode estar lá, mas que volte a ser São Nicolau de Mira, que certamente se ajoelharia reverente diante do verdadeiro motivo do Natal.

Abençoado Advento!

P. Carlos Arthur Dreher 



Advento 2019


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Biscoito de Goiaba


Li e gostei... Compartilhando... Bonito ensinamento...



Criei o costume de toda semana comprar biscoito com goiabada na padaria perto daqui de casa. Comê-lo bebendo um café sem açúcar tornou-se, sem exagero, um dos momentos mais deliciosos da semana. Mas a goiabada me incomodava. Não necessariamente ela, mas sua pouca quantidade. Era um pingo no meio do biscoito. 

Reclamei na padaria, chamei o padeiro de usura e tudo mais. 

Outro dia, voltando do trabalho, passei pela padaria e, pra minha sorte, disseram que havia um biscoito especial pra mim. Lá estava, o meu sonho num biscoito de um real. Quase que completamente coberto de goiabada. 

Chegando em casa, preparado o café e toda a ritualística necessária para consumir o apetecível biscoito, ocorreu que não comi nem a metade. Enjoei na segunda mordida. Doce demais, chegava a dar náuseas. 

Dia seguinte, cheguei na padaria e lá estava: outro biscoito coberto de goiabada. Me ofereceram e, por vergonha de dizer que odiei o do dia anterior, comprei. Em casa, raspei a goiabada e comi. 

O problema, o inferno, não era a goiabada nem o padeiro, era eu. Fui eu quem, amando o que amava, queria do meu jeito, sem entender que eu gostava era do jeito que era, porque se do meu jeito fosse, eu rejeitaria, enjoaria e até tentaria fazê-lo voltar a ser como era. 

Assim fazemos com as pessoas também. No início as amamos como são, depois que estão conosco começamos a criticar, tentamos mudá-las, tentamos "colocar do nosso jeito", sem saber que nosso jeito são nossas projeções, pessoas que não existem, e que se existissem, enjoaríamos delas. 

Transformamos para descartar, porque quando aquela pessoa muda, muito provavelmente quem gostávamos não está mais lá. 

Essa semana voltei à padaria, pedi o biscoito sem goiabada e mandei avisar ao padeiro que a receita original dele é que era a boa e não a minha versão.

Abençoados sejam meus amigos e minhas amigas, cada qual a sua maneira e o seu jeito de ser.


Autor Desconhecido


terça-feira, 12 de novembro de 2019

TRAVESSIA


Travessia é o nome de uma escultura inaugurada no cemitério de Rummelsberg, na Baviera. A obra, do escultor Thomas Reuter, mostra uma canoa rasa sobre a qual está deitada uma pessoa coberta por um lençol. Faz referência à travessia de um rio como simbologia para a morte, presente em muitos mitos de diversas religiões. Ainda que o Cristianismo na verdade não tenha se apropriado desta simbologia, ela é bem apropriada como forma de falar de morte no sentido bíblico. Mostra que o caminho da morte é determinado por Deus para todos e todas nós, mas ele não é um caminho em direção ao nada. É uma travessia. Do outro lado, há uma "margem" esperando. A pessoa coberta por um lençol dentro do barco representa todos e todas nós, já que essa travessia está no horizonte de cada pessoa. 

Desde o começo da nossa vida enfrentamos “travessias”, que requerem despedidas, exigem muitas forças e trazem mudanças consigo. A nossa vida começa com a travessia do ventre materno para a primeira (e dolorida) lufada de ar. E durante todo nosso trajeto passamos de uma fase de vida à outra, com constantes despedidas e novas “lufadas doloridas”. Quem segura nossa mão na última travessia é Cristo, o doador da vida. Por isso, acima da escultura do barco está uma escultura do Cristo ressurreto.

(Clovis Horst Lindner)

sábado, 9 de novembro de 2019

O MAIOR TESOURO





Certa vez, um homem caminhava pela praia numa noite de lua a cheia. Pensava desta forma: se tivesse um carro novo, seria feliz; Se tivesse uma casa grande, seria feliz; Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz; Se tivesse uma parceira perfeita, seria feliz, Quando tropeçou com uma sacolinha cheia de pedras. Ele começou a jogar as pedrinhas uma a uma no mar cada vez que dizia: Seria feliz se tivesse...

Assim o fez até que somente ficou com uma pedrinha na sacolinha, que decidiu guardá-la. Ao chegar em casa percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso. Você imagina quantos diamantes ele jogou ao mar sem parar para pensar?

Assim são as pessoas... Jogam fora seus preciosos tesouros por estarem esperando o que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem dar valor ao que têm perto delas. Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam quão afortunadas são. Muito perto de si está sua felicidade. Cada pedrinha deve ser observada... Pode ser um diamante valioso. Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante precioso, valioso e insubstituível. Depende de você aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-lo. 

Você como anda jogando suas pedrinhas? (que podem ser familiares, pessoas amigas, trabalho e até mesmos seus sonhos).A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.

Autor desconhecido

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Mensagem do Lápis



Enquanto o menino fazia sua tarefa escolar, seu avô se aproximou e disse:

– Quando você crescer, eu torço para que seja como um LÁPIS.

Intrigado, o menino olhou para o LÁPIS e perguntou ao avô:

– Mas o que o LÁPIS tem de especial?

E foi então que o sábio idoso respondeu:

– Se você observar bem, perceberá que o LÁPIS tem 5 qualidades extraordinárias e, se você conseguir imitá-las, será sempre uma pessoa de paz com o mundo.

Em primeiro lugar, assim como o LÁPIS, você pode fazer grandes coisas, sem esquecer jamais que existe uma mão que guia seus passos. Essa mão se chama Deus. Acredite nele, confie nele, dependa sempre dele.

Em segundo lugar, de vez em quando é preciso parar o que você está escrevendo e usar o apontador. O LÁPIS sofre um pouco, é verdade, mas rapidamente sua ponta estará mais afiada. Também você precisa ser capaz de suportar algumas dores que o tornarão uma pessoa melhor.

Em terceiro lugar, o LÁPIS trabalha sempre junto a uma borracha, para apagar o que não vale a pena. Corrigir algo que fizemos não significa que seja algo ruim, e sim algo importante que precisamos retificar e que nos permite manter-nos no caminho do amor a Deus e aos nossos semelhantes.

Quarta qualidade: olhe bem para o LÁPIS. A principal parte dele não é a madeira nem sua forma, mas a grafite que ele tem dentro. Cuide sempre com muito carinho do que acontece dentro de você, porque é de dentro, do coração, que saem as nossas intenções (cf. Mc 7.21).

A quinta qualidade é importante: o LÁPIS sempre deixa uma marca.  Você precisa saber que tudo o que fizer na vida deixará traços. Procure sempre estar consciente de cada coisa que você fizer.




domingo, 3 de novembro de 2019

Qual o significado e origem do anel de Tucum?




O anel de Tucum surgiu no Império do Brasil, quando a realeza usava joias caras enquanto os escravos e índios, sem condições de comprar uma joia, criaram o tão conhecido anel de Tucum.
Tucum para quem não sabe é uma palmeira bem comum na Amazônia, esse material acabou se tornando um símbolo de amizade, pactos matrimoniais e também, de resistência.
O anel de tucum é um símbolo usado por aqueles e aquelas que acreditam no compromisso preferencial das Igrejas com os pobres. O objetivo é resgatar este compromisso e denunciar as causas da pobreza. Este é o compromisso simbolizado nesta aliança, já que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento os profetas e apóstolos afirmam a fidelidade de Deus aos pobres e oprimidos.
A aliança de tucum é o sinal desta fidelidade, deste compromisso. Além da Bíblia, a opção pelos pobres é testemunhada também por toda a tradição da Igreja, principalmente na América Latina, a partir do Concílio Vaticano II e das Conferências dos Bispos em Puebla e Medellín e confirmada por outras conferências. Esta opção é a essência mesmo da vida cristã porque está ligada à imitação da vida de Cristo. Mas esta opção não é apenas uma responsabilidade individual. Neste momento da história, ela implica um compromisso social que está ligado à partilha e acesso à propriedade dos bens absolutamente necessários à vida. Deus está do lado dos pobres porque Deus ama os pobres. Por isso a pessoa cristã é chamada a seguir este mesmo exemplo de amor e opção preferencial que tenta promover a dignidade humana. No pobre revela-se o rosto do próprio Deus (Mateus 25.40).
No filme do “Anel de Tucum", Dom Pedro Casaldáliga explica assim o sentido desta aliança: “(...) Este anel é feito a partir de uma palmeira da Amazônia. É sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas e, as suas consequências. Você toparia usar o anel? Olha, isso compromete, viu? Muitos, por causa deste compromisso foram até a morte (...)".
Trata-se, pois, de uma aliança popular, de um pacto por fazer tudo que estiver ao alcance, como indivíduo e como ser social, para levar adiante a reivindicação de direitos e a esperança por um mundo realmente humano e fraterno. É a força e a importância do anel de tucum, que se carrega no dedo e, principalmente, no coração, no cotidiano de nossas vidas...
Eram diversos e variados os rituais para celebrar uma aliança. Os mais simples eram: apertar a mão um do outro, dar um presente, trocar de veste ou de armas.
Conforme a tradição bíblica, Deus celebrou várias alianças com seu povo ao longo da história, culminando na pessoa de Jesus de Nazaré. Desde então os seus seguidores e seguidoras passaram a falar em antiga e nova aliança. Assim como a antiga aliança foi constituída pelo sangue dos animais sacrificados (Êxodo 24.8), a nova aliança foi constituída pelo sangue de Jesus Cristo (Hebreus 9.11-20; 10.1-18).
No rastro dessa tradição, renasce o simbolismo da Aliança no Anel de Tucum, extraído de uma palmeira da Amazônia, cheia de espinhos, o símbolo do compromisso e da aliança com as causas das pessoas oprimidas, excluídas e marginalizadas - e suas lutas por libertação.
Foi na década de 70 que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) adotou e divulgou o Anel de Tucum, hoje usado no mundo inteiro por quem assume a luta pelas causas populares, misturando-se com a sorte dos pobres da terra.
As causas de ontem se encontram com as causas de hoje. Nossas lutas mudaram de cenários e nomes e as pessoas pobres ainda continuam excluídas e oprimidas. Por isso, o anel de Tucum quer simbolizar uma fé engajada, um compromisso com as pessoas pobres, com as pessoas sem voz e sem vez, um compromisso com a VIDA!
Jesus nos revela que Deus está ao lado das pessoas pobres e quer promover sua dignidade, no rosto da pessoa pobre encontramos o rosto de Deus. “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste” (Mateus 25.40). Portanto, se nos comprometemos às causas dos preferidos e preferidas de Deus é com Ele que nos comprometemos!
Esse símbolo foi bem escolhido, pois assim como é penoso fazer o anel de tucum, também é árdua a luta por dignidade, vida, esperança e paz.

Fonte: Facebook


sábado, 2 de novembro de 2019

Sobre morte, velório e sepultamento.




Assisti esta madrugada, quase que por acaso, uma entrevista conduzida por Bial com três pessoas marcantes sobre morte e sepultamento: a presidente do sindicato dos agentes funerários, uma tanatopraxista – trata-se da pessoa que maquia o morto para que tenha uma aparência mais agradável durante o velório – e um coveiro, um senhor negro, já de certa idade, e que assumiu a profissão após ter estado desempregado por algum tempo.
Pois foi este último personagem quem mostrou maior respeito pelo morto. “Se eu não respeitar o morto, como vou querer que respeitem o meu corpo quando for a minha hora?”
Achei que, entre os entrevistados, deveria ter havido também um pastor ou uma pastora. Teriam trazido outros aspectos ao tema.
Porém, a palavra “coveiro” mexeu comigo. Ainda existem coveiros? E o que fazem?
Minhas lembranças correram ao passado. Como pastor, celebrei inúmeros sepultamentos. Os primeiros tiveram sempre o trabalho de coveiros, daqueles de abrir a cova com sete palmos de profundidade e depois cobrir o caixão com terra, pá após pá. Isso demorava um tanto. Por isso, a comunidade cantava vários hinos seguidos.
Era marcante como, às primeiras pazadas, a família enlutada desatava em choro compulsivo. Contudo, o choro diminuía à medida que o caixão era coberto, até que, ao final, quando as pessoas que acompanhavam a cerimônia cobriam o canteiro com flores, se reduzia a alguns soluços engasgados.
Sempre entendi que o tempo de se fechar a cova dava tempo de as pessoas enlutadas absorverem o fato irreversível da morte. Haviam tido tempo pra curtir aquela realidade.
Fiquei surpreso quando ouvi pela primeira vez a palavra “carneira”. Sim, o sepultamento seria em “carneira”, já toda feita de alvenaria, aberta apenas na parte superior. Os coveiros eram agora também pedreiros. Custei a entender que a “carneira” era a “comedora de carne”. O caixão era depositado naquela estrutura, que era coberta com lajes, cimentadas na hora, depois do que se depositavam sobre elas as flores. Ainda se cantavam vários hinos.
Não demorou para que as lajes fossem apenas colocadas sobre a cova, e que as flores logo fossem colocadas ali. Os coveiros-pedreiros cimentariam as lajes depois que as pessoas já tivessem saído do cemitério. Cantava-se bem menos, e tudo era mais rápido.
Um pouco mais tarde, a carneira se transformava numa gaveta, com abertura na sua parte inferior, para que, por ali se introduzisse o caixão. Alguns tijolos fechavam a abertura rapidamente. Já não se jogava mais terra sobre o caixão. Agora eram pétalas de rosas brancas. O canto era mínimo.
Hoje é marcante a beleza e da pompa teatral da moderna cremação. Palco, cortinas que se fecham, música cinematográfica.
Penso que essa evolução pretendeu ocultar cada vez mais a morte, embelezá-la, torná-la menos feia e dolorida. Pergunto-me se é assim mesmo para as pessoas enlutadas, ou apenas para as pessoas que se sentem na obrigação de estar lá e assinar o livro de presença.
Para as pessoas enlutadas, o tempo de curtir a morte diminuiu até praticamente desaparecer. A dor, o choro, o luto, ficam tanto mais para depois, quando se percebe que “naquela mesa tá faltando ele, e a saudade dele tá doendo em mim”. Aliás, essa é a hora de a gente ir visitar as pessoas enlutadas, talvez uma semana depois do sepultamento.
*****
Também os velórios mudaram. Já não são mais nas casas dos falecidos. Quando ainda o eram, havia convívio quase que de festa. Café, sanduíches, chimarrão – lá na cozinha, uma garrafa de pinga, especialmente de madrugada, quando se contavam causos do falecido, enquanto seus familiares eram postos a dormir.
Vale lembrar o belo conto de Jorge Amado, “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água”. Não sei se ainda, mas, em alguns lugares do Centro-Oeste, os amigos vão ao velório para “beber o morto”. Há um quê de festa nisso tudo.
Hoje, nos necrotérios, a porta é trancada durante a noite, e os familiares vão dormir em casa. Alegam-se riscos de assalto. E o defunto fica a curtir uma solidão antecipada.
*****
Mudaram os costumes. Porém, não mudou a morte. De nada adianta aos vivos enfeitá-la e fazer de conta que ela só existe para os outros. Ela é a triste única certeza. Há que assumi-la e abraçar com carinho os que ficam chorando ou sofrendo, calados, a perda de quem se foi.

Fonte: Facebook


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Dia da Reforma



Hoje, DIA DA REFORMA, não quero lembrar os meus êxitos. Nem quero lembrar minhas limitações. Também não quero recordar o bem que realizei ou que deixei de realizar. 

Hoje quero lembrar a tua graça, Deus Eterno. É na tua graça que me sinto acolhido. A tua graça que anuncias com tua palavra; a tua graça que perdoa os meus equívocos; a tua graça que me envias através da amabilidade de pessoas que me rodeiam. A tua graça que mais recebo do que posso entender. A tua graça que me ampara nas horas da dor e do medo.

Houve grandes pedras no meu caminho e pesadas cargas, cujo sentido não entendo. Peço-te que me reveles seu sentido quando chegar o tempo oportuno.

Minhas obras hão de perder sua significância; meus sonhos vão diminuir sua intensidade. Mas a tua graça permanecerá e é nela que busco meu refúgio e aconchego.

II Coríntios 12.9: “Minha graça é tudo que você precisa, porque o meu poder é mais forte quando você está fraco.”
                                                ………………………………

O Movimento da Reforma, encabeçado por Martim Lutero, edifica toda sua fé e sua ética sobre o fundamento da confiança inabalável na GRATUIDADE. Somos dignos de aceitação pela graça.

P. Silvio Meicke 



Obrigado Katharina von Bora e Martin Luther!





Hoje é dia 31 de outubro de 2019. Nesta data as Igrejas comemoram o Dia da Reforma. 

Faz 502 anos que Martin Luther descobriu na Bíblia que “a pessoa justa viverá pela fé” (Romanos 1.17). 

Esse fato foi revolucionário para ele, que tinha medo do Diabo; de Satã! 

Foi depois dessa descoberta que o Reformador ousou casar-se com uma pessoa que o entendeu e que o ajudou a ombrear a vida de sua família até a morte.

Quem é esse Satanás do qual se lê nas Escrituras; do qual muita gente continua temendo; do qual os pintores da Idade Média retrataram com um tridente nas mãos? 

No sentido literal, esta palavra significa “o Adversário”. 

Ela é qualquer “força” que nos desvie do caminho proposto por Deus. Ela é qualquer “influência” que nos faça voltar atrás, depois de decidirmos segurar na mão do Pai Nosso. Ela é qualquer “poder” que nos induza a dar prioridade aos desejos humanos, em detrimento da vontade do Criador! 

No dia em que as pessoas simples começaram a entender que não precisavam se pautar numa “Teologia do Medo” e sim numa “Teologia do Acolhimento”, a Igreja passou a reformar-se de baixo para cima. 

Coisa boa! Aqui e ali ela continua a se reformar. 

Lamentável! Lá e acolá, às vezes mais perto do que imaginamos, ela persiste em se arrastar na mesmice! 

Obrigado Katharina von Bora e Martin Luther!

P. Renato L. Becker 


SALMO DE UMA PESSOA PROTESTANTE






Pai Nosso, 
somos filhos e filhas da Reforma, 
mas andamos desgarrados, ausentes, 
descompromissados, desiludidos até. 
Onde ficou o espírito protestante do movimento? 
Perdeu-se na mesmice do tempo ou se ocultou preventivamente?

Que evangelho é este que anunciamos?
Consolo barato ou desafio permanente?
Protesta contra nós, Senhor da Vida, 
quem sabe alguém te escuta, 
e o espírito primeiro desate 
o nó que asfixia a minha veia.

Perdão, Senhor, 
pela arrogância dos iluminados, 
pela certeza dos piedosos, 
pela leviandade dos despreocupados, 
pela ciosa cautela dos fartos.

Ajuda-nos a buscar o Evangelho 
da graça e da vida solidária. 
Isso não é pouca coisa. 
E ajuda-nos a viver com os olhos postos 
no horizonte do Reino da justiça 
e do amor.
Tem piedade de nós, Senhor!


Roberto Zwetsch

(Livro "Flor de Maio", p. 185-86)


COMO ERA LUTERO?




“Martim é de estatura mediana, de corpo magro e cansado de tanto estudo e preocupação – assim que se pode contar quase todos os seus ossos -, de aparência juvenil e máscula, e com uma voz clara e volumosa. 

Mas, ele é repleto de sapiência e de primoroso conhecimento das escrituras, de tal maneira que tudo parece estar escrito na palma de sua mão. Sabe tanto grego quanto hebraico e pode julgar acerca de diferentes interpretações. Também não lhe falta conteúdo e ele tem um grande estoque de palavras e pensamentos. 

É atencioso e amigável em seu modo de viver e agir e não há nada de estranho ou carrancudo em sua pessoa. Sabe comportar-se em todas as ocasiões. 

É uma pessoa animada, alegre, brincalhona, viva e sempre simpática. Está sempre de rosto alegre e satisfeito, ainda que seus opositores o ameacem intensamente. Percebe-se que o poder divino está agindo nele em sua difícil tarefa.”

(Pedro Masellanus, reitor da Universidade de Leipzig).





quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Dicas de Plantio



Lua Nova – É a época certa para adubação e semeadura de ervas aromáticas e medicinais. Na lua nova a mínima luminosidade e máximo refluxo da seiva, favorecem as partes subterrâneas das plantas. Mas cuidado, é tempo de baixa resistência às pragas e ruim para o plantio.

Lua Crescente – A luminosidade atrai a seiva dos vegetais para cima da terra, favorecendo o crescimento das partes aéreas das plantas. Período propício para plantio de cereais, frutos e flores. Ótimo para transplantar, enxertar e colher ervas e folhas, e para podar árvores ou aparar a grama. É a melhor lua para o trabalho com plantas.

Lua Cheia – Tempo ideal para podar e colher sementes, frutos e plantas medicinais. Ideal para semeadura. Na lua cheia a luminosidade e seiva alcançam sua força máxima.

Lua Minguante – Estimula as partes subterrâneas, pois é quando a luminosidade começa a diminuir, favorecendo o refluxo da seiva, é o tempo propício ao plantio de tudo o que dá abaixo do chão, como batata, beterraba, hortaliças e bulbos ornamentais. Bom período para semear frutos e fazer fertilizações orgânicas, assim como para podar a grama de crescimento acelerado.



quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Como se escreve...


Quando Joey tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam. Joey desenhou a sua família. Depois, traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da professora e disse:
– Professora, como a gente escreve…? Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula.
Joey dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho.
Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia, para a mesa. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse.
– Mamãe, como a gente escreve…?       
– Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta, foi a resposta dela. Ele dobrou o desenho e o guardou no bolso.
Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para o grande círculo vermelho, foi até à cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para seu pai. Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai e disse .
– Papai, como a gente escreve…?
– Joey, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta. O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso. No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.
Os anos passaram…
Quando Joey tinha 28 anos, sua filha de cinco anos, Annie fez um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e ela disse.
– Este aqui é você, papai! A garota também riu. O pai olhou para o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras e lentamente começou a passar o dedo sobre o círculo.
Annie desceu rapidamente do colo do pai e avisou: eu volto logo! E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou.
– Papai, como a gente escreve amor? Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia: amor, querida, amor se escreve com as letras T…E…M…P…O (TEMPO).
Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive.
Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra amor, família, afeição.
Por fim, lembre: se você não tiver tempo para amar, crie.
Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo… bom, o tempo é uma questão de escolha.

Autor desconhecido